“O que vem à sua mente quando falamos a palavra sucessão?”
Foi exatamente com essa pergunta, seguida por um silêncio proposital, que iniciei minha palestra no evento Boi Que Deixa Dinheiro, em Cuiabá.
Quando faço esse questionamento, a resposta automática da maioria costuma ser “substituição”. Mas eu sempre desmistifico isso logo de cara: sucessão não é substituição. É evolução. É agregar pessoas que trabalham juntas para garantir a eternidade do negócio.
Se a sucessão é algo tão fundamental para a perpetuidade, por que tantos líderes fogem daquilo que precisa ser feito?

A resposta esbarra no medo e na desinformação. Muitos acreditam que sucessão se resume a divisão de terras, burocracia com advogados e legislação. Mas a verdade é que nós estamos falando da parte humana do negócio.
“As consequências de adiar essa conversa são silenciosas, mas destrutivas.”
De um lado, por muitas vezes, temos fundadores que se agarram ao poder por medo de perderem sua autonomia ou de verem sua história de sacrifícios não ser honrada.
Do outro, temos filhos frustrados, que desejam contribuir e inovar, mas não encontram espaço, sentindo-se “como mais um” na fazenda.
Essa falta de alinhamento apaga o brilho de quem deveria estar assumindo a linha de frente.
O futuro do agro não está apenas na tecnologia ou na terra; o futuro do agro começa nas pessoas.
Para que a transição ocorra com naturalidade e excelência, apresentei ao público do evento o método dos três olhares:
Olhar para si: Ter a humildade de reconhecer que não sabemos tudo e a disposição para aprender, desaprender e reaprender.
Olhar para o outro: Exercitar a verdadeira empatia. Saber ouvir com presença, respeitar o tempo da outra geração e trazê-los para o centro do negócio com firmeza e candura.
Olhar para o todo: Compreender que o legado e a direção do negócio são maiores do que os indivíduos. Quem lidera o agora é quem constrói o amanhã.
O tempo certo e perfeito para começar a sucessão nunca aparece.
Há pouco tempo, ouvi de um cliente em mentoria:
“Eu não me conformo de não ter me aberto a isso dez anos atrás”.
A boa notícia é que não importa o tempo que passou, o que importa é o que decidimos fazer com o hoje.
Foi uma honra imensa subir novamente ao palco do Boi Que Deixa Dinheiro e dividir o espaço com empresas e produtores que acreditam no conhecimento como herança de longo prazo.
O legado continua. A próxima safra de líderes já está sendo preparada.
