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Liderança e alta performance: o que aprendi com Rogério Câmara sobre pessoas, oportunidades e resultados

O que um líder precisa oferecer antes de cobrar resultados?

Essa foi uma das reflexões que surgiram durante minha conversa com Rogério Câmara no episódio 7 do podcast O Que Te Move Além. E, para mim, esse encontro teve um significado muito especial.

Há cerca de 20 anos, Rogério foi meu chefe no frigorífico Bertin. Eu estava construindo minha carreira, tinha muitos sonhos e uma vontade enorme de crescer profissionalmente.

Naquela época, ele me proporcionou oportunidades que foram importantes para o meu desenvolvimento. Participava de reuniões que iam além das responsabilidades do meu cargo, conhecia novos projetos e assumia desafios que ampliavam minha visão sobre os negócios.

Eu procurava aproveitar cada oportunidade para aprender e me desenvolver. Foi também naquele período que tive minha primeira oportunidade de liderança.

Hoje, reencontramos nossas histórias em outro momento da vida.

Rogério Câmara é empresário à frente de negócios como Newdrop e Cristalins, empresas com raízes em Lins e trajetória de expansão. Também é presidente da APAE de Lins, contribuindo com uma instituição que desenvolve um importante trabalho de inclusão.

Recebê-lo no podcast foi uma oportunidade de revisitar nossa trajetória profissional e conhecer outras dimensões da sua experiência como empresário, líder e ser humano.

Nossa conversa passou por gestão, empreendedorismo, preparação profissional, alta performance e inclusão. Quero compartilhar três reflexões que considero especialmente importantes para quem lidera pessoas, conduz negócios ou deseja crescer na própria carreira.

1. As oportunidades aparecem, mas precisamos estar preparados

Um dos pontos que Rogério destacou foi a importância da preparação para aproveitar as oportunidades profissionais.

Essa reflexão me fez lembrar da minha própria trajetória.

Muitas vezes, queremos crescer, assumir novas responsabilidades ou conquistar posições melhores. Mas será que estamos nos preparando para isso?

A oportunidade pode surgir de maneira inesperada. O que fazemos antes dela chegar pode determinar nossa capacidade de aproveitá-la.

E existe também uma responsabilidade importante para quem lidera: criar oportunidades para que outras pessoas possam aprender, assumir desafios e desenvolver suas competências.

Eu tive essa experiência com Rogério e reconheço o quanto ela contribuiu para minha formação.

Hoje, quando trabalho com o desenvolvimento de líderes, reforço a importância de reconhecer o potencial das pessoas e oferecer experiências que as ajudem a crescer.

Afinal, desenvolver uma equipe também é preparar pessoas para oportunidades que elas ainda não conseguem imaginar.

2. Alta performance e humanidade precisam caminhar juntas

Durante o podcast, perguntei a Rogério como ele concilia a busca por alta performance com uma gestão humanizada.

Sua resposta trouxe questões muito práticas: definir objetivos claros, estabelecer indicadores, comunicar expectativas, oferecer condições de trabalho e reconhecer resultados.

Parece simples, mas será que fazemos isso de forma consistente?

Pense em uma situação comum nas empresas: o líder estabelece uma meta, acompanha os números e cobra a entrega. Mas será que a equipe compreendeu o objetivo? Sabe como alcançá-lo? Tem os recursos, a autonomia e o preparo necessários?

Cobrar resultados faz parte da gestão. Criar condições para alcançá-los também é responsabilidade da liderança.

Isso não significa diminuir a exigência ou deixar de responsabilizar as pessoas por suas entregas.

Significa compreender que firmeza e humanidade não são opostas.

Uma liderança humanizada sabe estabelecer expectativas, dar feedback, reconhecer avanços e enfrentar conversas difíceis com respeito e clareza.

Na minha experiência, é esse equilíbrio que contribui para fortalecer a confiança, o comprometimento e os resultados sustentáveis.

3. Inclusão é reconhecer capacidades e criar oportunidades reais

Outro momento da nossa conversa que me tocou pessoalmente foi quando Rogério falou sobre inclusão e sua atuação na APAE.

Esse tema tem uma conexão muito profunda com a minha história.

Quando perdi quase totalmente a visão, aos 29 anos, precisei reconstruir minha trajetória profissional.

Eu queria continuar trabalhando, aprendendo e contribuindo. Mas não bastava ter vontade. Era necessário encontrar novas possibilidades e construir condições para que minhas capacidades fossem colocadas em prática.

Foi assim que consegui voltar ao ambiente corporativo e construir uma nova carreira no desenvolvimento humano.

Por isso, acredito que incluir vai além de permitir que uma pessoa esteja presente. É criar condições para que ela participe, contribua e tenha seu potencial reconhecido.

E essa reflexão não se limita às pessoas com deficiência.

Quantos profissionais possuem competências que ainda não tiveram oportunidade de demonstrar? Quantas pessoas poderiam contribuir mais se encontrassem uma liderança disposta a conhecer suas capacidades e desenvolver seu potencial?

Reconhecer a singularidade de cada pessoa também é uma forma de fortalecer equipes e organizações.

O que podemos levar dessa conversa para a prática?

Gosto de pensar que uma boa conversa não termina quando desligamos os microfones. Ela continua quando transformamos o aprendizado em atitudes.

Por isso, deixo três perguntas para você refletir:

Na gestão da sua empresa: você está apenas acompanhando resultados ou também identificando o que precisa melhorar para alcançá-los?

Na liderança da sua equipe: quais oportunidades de aprendizado, autonomia e crescimento você está oferecendo às pessoas?

Na sua vida e carreira: para qual oportunidade você gostaria de estar preparado e o que está fazendo hoje para construí-la?

São perguntas simples, mas que podem abrir espaço para decisões importantes.

Liderar é também desenvolver possibilidades

Reencontrar Rogério me fez perceber, mais uma vez, como algumas experiências continuam fazendo diferença em nossa vida muito tempo depois.

Quando olho para minha trajetória, reconheço o valor das oportunidades que recebi, das pessoas com quem aprendi e dos desafios que me ajudaram a crescer.

Hoje, como mentora e fundadora da Valem, continuo acreditando que resultados consistentes são construídos quando unimos direção, responsabilidade e desenvolvimento humano.

Alta performance não se resume ao quanto conseguimos exigir das pessoas, mas também ao quanto somos capazes de desenvolver suas competências e criar condições para que entreguem o seu melhor.

Essa é uma reflexão que vale para os negócios, para as relações profissionais e para a nossa própria vida.

Convido você a assistir ao episódio 7 de O Que Te Move Além, A importância da gestão e liderança, com Rogério Câmara.

Assista à conversa completa no YouTube.

E depois me conte: qual dessas reflexões mais se conecta com o momento que você está vivendo?